Portal da Poesia - Abel Carvalho


Condenação

Recém saído da puérpera da solidão da embriaguês decido:
Aceito as penas que me são impostas
Não recorrerei da minha condenação
Serei sacro
Nunca santo
Recebo o clausuro que me impuseram

Claustro e disforme
Vomitarei as brenhas do tempo

Se me vergastarem
Receberei o meu açoite

Natibundo engulo o celibato que me amealha
Sucumbo ao esterco dos desejos de Onam

Se me admoestam
Afago os sonhos
Que são muitos
Com o desdém da quiromania do passado

Não choro
Não retrocedo
Apenas multiplico
Estendo a ti a minha sentença

Seremos comparsas coniventes
Da tua imposição
Tu juiz
Eu réu sem direito a absolvição.

Abel Carvalho


Escrito por Abel Carvalho às 21h42
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Poesia inacabada

O que me adiantou os mil poemas que ti fiz

Se a minha dor e o meu pranto nunca cessaram

O que me adiantou chorar tanto

Se a minha dor nunca parou

O que me adiantou doer tanto

Se o meu pranto não secou

Fiz poemas e canções para um sonho natimorto

Fiz poemas para um canto torto

Fiz canções que não soube cantar

Fiz da ode o desespero

Fiz do desespero a força para seguir

Fiz o ontem

O hoje

E destruí o amanhã

Pari poemas como fêmea

No afã de simplesmente te possuir

De que me adiantou, então, o autoflagelo que vivi


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 21h13
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Hojerizah

Quero que imagines isso:
Um risco,
Dois discos,
Um tempo sem fim.

Quero que durmas com isso:
Um vício,
Um dilema
Uma noite ruim.

Quero que sonhes comigo
Como sonhei contigo
Nesse longo dia, enfim.

Quero reviver cada hora,
Te fazer chorar como outrora,
Morrer de desejos e sorrir.

Talvez, entre risos e cismas,
Entre birras e cinismos,
Entres dores e sorrisos,
Velasses por mim.

Por fim te evoco entre rimas,
Ojerizas e sinas,

devaneios sem fim.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 11h10
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Verso reto

 

Um verso

Um ponto

Um poema


Um amor

Uma linha

Um trema


Um dilema

Uma rena

Um acento que caiu


Um dia

Uma hora

Outra aurora que partiu


Um vício

Eu tísico

Um sonho que ruiu


Um disco

Uma lembrança

Mais um dia que surgiu


Uma noite

Outra noite

O sonho que enfim puiu


Um verso reto

Verso retro

Ressurretro

De um tempo que sumiu


Uma milha

Corta a quilha

A estrada que abriu


Uma poesia solitária

Um poeta solitário

Um amor mil vezes vil


Um ardil

Um plano

Um momento pueril


A vida

A dor

Uma nova dor entre mil


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 08h40
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Doce, meiga e triste

 

O que me trazem os teus olhos?

Nada além da meiguice que sentir...

O que me diz teu sorriso?

Nada além da tristeza que há em ti...

O que me fala a tua boca?

Nada além da doçura que ainda não vivi...


É claro que não és assim,

Isso é apenas o que vem para mim...


És doce como o querubim,

És linda!

Linda!

Tão linda quanto nunca vi.


És meiga,

Meiga e terna como o colibri

Que ao meu sonho alimenta.

É claro que não és triste,

Isso de mim é só sandice,

Querência,

Desejo sem fim.


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 07h53
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Nunca

 

Eu nunca mudei.

Mais perdi que ganhei,

Mas nunca mudei.

Eu sou feliz.

Sou feliz assim como sou,

Para eu mesmo justo, estranho e diferente.

Não sou exemplo.

Não recomendo para ninguém

O que eu mesmo fiz,

Se sou feliz,

Sou feliz por um triz.

Ninguém viveria como eu vivo,

Nem mesmo sendo arredio e fugitivo,

Ermitão contumaz.

Mas nunca se engane,

Eu sou feliz, fiz o que quis.

Não sou escravo,

Mesmo sem quebrar, não sigo regras,

Vivi a vida de forma paralela,

Entre um ou outro bem que me quis.

Amei sim, uma ou duas vezes,

Mas sou mais amado,

Talvez cinco ou seis vezes.

Construí uma fábula absurda,

Nem Henderson sonharia o que sonhei,

Mas sou feliz o que quis,

Poucos entendem isso,

Quase ninguém.

Sou hoje como ontem,

Menos pelo tempo que passou,

Mas sou, perfeito, no que vivi,

Cônscio do que construir,

Arrimo apenas dos meus próprios devaneios...

Isso nunca me fez onipotente,

Apenas, e tão somente, onisciente e onipresente,

Embora muitas vezes ausente,

Naquilo que sozinho decidir e assumir.

E ninguém pode parar o tempo...


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 16h50
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Hei

Hei de afundar no tempo como um vício virtuoso.

Hei de moldar a cabeça ao travesseiro, caso passem as tantas dores que aconchego,

E sentir de novo sãos os dedos que teu corpo percorreram.

Hei de dormir mesmo insone e sonhar com teus sonhos,

Odisseia inacabada de mil noites de desvelo.

Hei de singrar qual quilha e sangrar em devaneio, sorrir quando o dia me chegar,

Deixar inerte na vigília o corpo desafeto, quedante e pouco ereto,

Fingir, fazer calar, tapar com os olhos o pesadelo,

Fazer crescer, merecer a inquietude avassaladora que atormenta

A mente sedenta de amor, de dor, langor e saudade.

Hei de amar mais mil vezes a ti perdidamente,

Viver mais mil noites de insônia e fazer, outra vez,

A dor em mil poesias frias, reticentes, quebrantadas e perenes,

Fortes, fieis e perturbadoras, apenas poesias tradutoras

De um amor achado e perdido, indevido, benvindo e banido,

Amor, apenas amor como a dor serena da poesia  que nunca deixará de nascer.


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 20h07
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Gotas de sangue

 

Ontem pensei em chorar duas vezes
Uma por mim
Outra por ti

Ontem pensei em gritar uma vez só
Gritar por ti

Mas de que me valeria esse grito...

Há muito canto as tuas dores
Dores de amores
Faz tanto tempo que não grito por ti...

Sei que muitos já me ouviram
Sei que alguém tentou me entender...

Ontem foi um dia triste
Até ameaçou chover...

Na verdade pingaram duas gotas
Do sangue que doei pra ti...

Ontem foi só mais um dia
Um dia como outro qualquer

Um dia nublado
De tempo avesso
De cor opaca
Sem sol

Mais um dia sem futuro
Mais um dia sem fim

E qual fim tu tens...
Qual é o teu futuro...
O que fizeram por ti...

Dizimaram os Krenyês
Exterminaram os Crenzés e Pobzés
Acabaram com a wa’kawa
Mudaram tua padroeira
E venderam a tua Santa Igreja

Mandaram embora os teus vapores
E teus batelões
Fechando tuas usinas

Instituindo a segregação
Mudaram o teu ciclo vigoroso
Tomando do homem o chão...

Fecharam suas cancelas
Roubaram da tua tela
Os filhos dos teus anciãos

Hoje nem lembro os sobrenomes
Dos que daqui foram embora
Só sei que nunca mais voltaram
Mesmo continuando a sonhar com
A tua aurora

São muitos os que se foram
Poucos os que ficaram
Nenhum foi reconhecido

Cortaram as curvas do rio
Zeraram a tua história

Mudaram a melodia
A letra do teu Hino
E do hino do teu filho preferido

Do pouco que te restou
Agora te deformam o Brasão
Te querem roubar as cores
Mais uma vez sinto dores
Por isso pensei em chorar...

Luxúria
Ignorância
Vingança
Sei lá...

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 10h40
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A poesia do abstrato


A poesia nasce do abstrato
É sempre extrato
De querenças
Ou maus fins

O abstrato faz a poesia
Como quilha corta sentimentos
Separa sofrimentos
Abre caminhos
Povoa novos sonhos
Enfim

O extrato é substrato do destino
Soma de devaneios em desalinho
Sintoma que corre nas veias
Como versos
Fragmento do amor
Da dor que sentimos
Que nos move
Nos cega
Nos une
Nos separa
Nos mantém vivos
Assim

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 13h38
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O Amor

O amor contamina

Salva

Faz viver

 

O amor sara

Perpassa

Faz querer

 

O amor canta

Encanta

Faz sofrer

 

O amor acalanta

Traz lembranças

 

O amor livra

É livre

 

O amor dirige

É guia

Intuição

 

O amor não quer caução

Quer bênçãos

 

O amor alivia

É cria

Ilusão

 

O amor nunca diz não

Amar não é devoção

 

O amor pulsa

Catapulta

Arrebata 

 

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 17h17
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E se...

 

E se tudo que vivi até hoje foi apenas um sonho
Imagino o tamanho do pesadelo que seria
Nem mesmo ter te conhecido...

E se por meu próprio porte me julgo infeliz
Como traduziria a tua ausência
A tua falta
Nunca ter conhecido...

E se sempre te tive ao meu lado
Não te vi
Talvez por medo
Ou por loucura...

E se a vida hoje não me cobra
A tua falta quase me enlouquece
Nunca te ver me entristece
Tua lembrança nunca sai de mim...

E se te beijei
E se te tive em meus braços
Quatro ou cinco vezes
E se sentir teu cheiro e não puxei teus cabelos
Então o que vivi nunca foi sonho
É pesadelo
Apenas quimera de uma vida sem fim...

E se vagueio em transe quase sacro
E se não canto meu pranto e te idolatro
Então isso é amor
Amor quase sem fim.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 18h12
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Último

Cada novo poema que escrevo

Parece ser o último

Último poema

Último momento

Último encontro

Último beijo

Prazer que não tive

 

Ocaso

Limiar

Crepúsculo

Ode ao tempo que não para

Não volta

Não se renova como as letras que escrevo

 

Último passo

Último compasso de um tempo findo

De um dia lindo que o sol fez morrer

Espasmo que não fluiu de mim

 

Último sonho

Ultima vez que te vi

Último sorriso

Último choro

Último caminho a seguir

 

Um último toque de mãos

Um último não

Uma única e última noite sem fim

 

 

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 16h29
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A alça e o vinho

A fina alça que pousa sobre teus ombros

Marca a tênue distância que hoje nos separa

O suave vinho que ainda não bebemos

É a ânsia que agora molda nos lábios teu sorriso


A alça

Os lábios

O vinho

Composição de um novo desidério


A alça me trespassa

O vinho me queima os sentidos

Os lábios me convidam


Em um sorriso doce como o vinho

Meu desejo trafega em viés nesse caminho


Não há mais sobre o que pensar

Ou refletir

Só seguir sem ruminar novamente o meu destino


A alça me convida

O vinho me trespassa os sentidos

Os lábios me queimam em fogo-fátuo

Tenho  que seguir esse caminho


A alça

Os lábios

O vinho...


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 23h27
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E se ti revelasses...


... E se perdestes tantos anos

Perdi minha vida toda

Sei disso

Tu não


E insistes em jogar fora

O tempo que nos resta

Ou não


Às vezes nem está próximo

Se apresenta como revelação


Teria sido bem melhor dizer que sim

E receber um não


Assim

Quem sabe

Não haveria culpas

Nem desculpas

Nem tempo

Nem fim

Nem tesão


Sofrer

Sofrer assim é pesadelo

É sina

É devaneio

É nódulo em vão


Ver

Olhar

Não perceber

Antes ver e não querer

Melhor que morrer de paixão 


Distância

Lembrança

Sim e não

A vida sem ti

Não tem continuação


É fogo fátuo

Herança sem sentido

É trigo que nunca vira pão


Amor é amor

Não é adoração...


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 09h16
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Dois polos

Tristeza e felicidade são forças opostas
Curtas e passageiras
Se opõem, se atraem
E se dissipam há um simples toque
Mesmo sem você querer.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 10h06
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As vezes

As vezes você tem que manter vivas fantasias
Mentir duas vezes
Criar situações que não existem

As vezes é melhor mentir assim
E te manter longe de mim

As vezes é melhor inventar sonhos
E fazê- los vivos em cada noite de insônia sem fim
E te manter longe de mim

As vezes tem que ser assim
Rabiscar um texto
Fingir que vivo no cabresto
Dizer que o telefone é ruim

As vezes é melhor assim
Fazer doer para mim
Para não morrer para ti

As vezes é melhor ouvir música sozinho
Beber cinco os seis golinhos
E fingir que entediou

As vezes é melhor dá a cara a tapa
Fazer do mundo desgraça
E esconder que o amor incendiou

As vezes o mundo é assim:
Eu-tu sem mim.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 10h48
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Eu, 58.

 

Ninguém cantou seu Eu tão bem quanto Augusto
dos Anjos:
“Ah! Dentro de toda a alma existe a prova 
de que a dor como um dartro se renova, 
quando o prazer barbaramente a ataca...”

Vandré chorou para não ter na chegada que morrer
ou de amor matar...

Djvan sentiu a dor do amor ausente.

Zé contou que eu canto os meus ais.

Rogério crê que eu faço poemas autobiográficos,
que as dores que eu canto são minhas...

As dores que eu canto nascem em alheias entranhas,
Mas vivem como minhas.

Na verdade sou vetor de sofrimentos, cinco ou seis,

e Isso me encanta, eu sei.

Se fosse produtor da minha própria biografia,
eu afirmaria: nasci dez anos depois do que eu queria
e já vivi trinta anos há mais do que eu sonhei...

Abel Carvalho
03 12 16



Escrito por Abel Carvalho às 16h28
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Poesia com pontos (ou um poema para a lua)


Por quantos caminhos a minha dor caminha?!
A minha dor caminha mil caminhos.
Caminha por caminhos tortos, estradas sem fim.
Caminha por caminhos retos, estradas longas sem destino ou paradeiro.
A minha dor caminha a ermo, com desvelo, sem arrego.
A minha dor caminha por caminhos que não vejo.
Caminha entre sombras e desejos.

Por quantos caminhos a minha dor caminha?!
Caminha no escuro, no silêncio, sob o sol escaldante ao meio dia.
A minha dor caminha em devaneio.
Caminha a meia noite fria, sem dó, soluço, sem sossego.
A minha dor caminha sob a luz da lua que te iluminou um dia.
A minha dor caminha cada dia mais vadia.
Caminha como a sombra que me segue em letargia.

Os caminhos que a minha dor caminha são fronteiras sem flancos.
São qual o amor a beira de um barranco, indeciso por saber ser ali o fim.
Os caminhos que a minha dor caminha são vias tortuosas, são chagas poderosas, são ritos de paixão, enfim...

A minha dor caminha a minha frente.
A minha dor não sente o quanto é algoz e o quanto enterneço.
A minha dor fadiga, é fada gloriosa, é fado imperioso.
É o ônus perigoso que pago para não ser para ti Procusto.

Então, se a minha dor não te comove, se tu não te condóis!?
A minha dor caminha rumo ao catafalco.
Só me resta destruir esses caminhos, fechar para sempre o pergaminho,
Com pábulo laurear tua desgraça e provar para mim mesmo que ainda posso ser feliz.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 21h50
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Varejo

Como o vou impedir que um novo nasça

Mesmo  te amando duas vezes

Ou mais

Te amo assim

Loucamente

Sozinho

Contigo longe

Ontem

Antes

Enfim aqui

E tu me amas...

Poetas são tolos instrumentos da paixão

Poesias eternos exercícios do desejo

Amor

Amor sempre mete medo

Vive de varejo

Amor

Amor é assim sem fim

Sem ti

Sem mim

Sem elo

Sem modelo

Nunca te vi sentada em tua porta

Mas já te vi descalça na calçada

E o sol estava quente

Meus olhos fecham

Te vejo

Minha boca cala

Pronuncio teu nome

Fujo do pente

Trespasso a ponte

Vejo a fonte

No entardecer me chegas como aurora

Nova hora que teimo em não ver

Não sei por quantos dias

Tenho um sono longo e profundo

Doce dor de saber que ti perdi.


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 20h45
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Rascunho

Às vezes rascunho vários poemas por dia

Aí sento em um canto e os leio sozinho,

Os rasgo e jogo fora.

Um deles dizia, eu lembro:

Aquele que você ama fica com você,

Quer você queira ou não.

 

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 21h18
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O Amanhã

Ontem te vi bendita

Contrita
Aflita

Ontem te olhei de soslaio
Não te encarei
Te fitei
Te admirei agradecido
Nem me olhastes

Ontem não foi um dia comum
Bebi run
Dormir por quase cinco horas

Ontem não te encontrei em mim
E te vi
Dormir e não sonhei contigo

Ontem te vi alta e clara
Um estranho fulgor resplandecente te cobria
E seguias meus passos mesmo que eu não andasse
E cobria de luz meu caminho

Ontem
Mais uma vez
Te amei perdidamente
Fui crente
Demente
Outra vez ausente

Ontem
Comparando com outros dias
Não tive dificuldades
Problemas sempre surgem

O verdadeiro desafio da vida
A verdadeira dificuldade
Achei que se conseguisse não sentir
Não sofreria

Ontem não só desligue a dor
Me desliguei
E de tudo
Até que não sobrou nada

A gente pode viver o agora
Mas o melhor do agora
É que amanhã tem mais
E não é tarde demais para nós.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 08h58
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Um amor

Tenho um amor que amo

Tenho um amor  que me ama

Amor perene e fugidio

Feito cio

Amor maior assim

Sem fim

Tenho um único amor

Longe de mim

Dói como cravo sem espinho

Voa como ave sem ninho

Dissonante em tempo e cor

Abre um Céu de amarguras

Qual um banho de sonhos

Em uma noite insone sem fim

Vem

Vem ver o quanto sofro

Vem ver quanto desgosto

Vem ver

Por fim

O que vi

Vi o quanto tu sentes

Vi que aceitas as correntes

Amar

Amargo

Amar não é assim

Se sentes

Não pedes

Com certeza hoje imploro

Um dia

Um adeus


Outra hora

A regozijar-me de ti

Foi ontem

Talvez outrora

Um tempo vivo

Sem fim.


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 19h04
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O amor muda

O amor muda
Muda a dor
O sofrimento

A poesia muda
Muda o amor
A musa

A vida muda mesmo sem morrer
A ideia muda
O tempo passa
E muda

A roupa muda
Mudo eu em ti
Mudas tu de mim

É assim
Sem fim

O sonho muda
Mudas tu de mim
Eu mudo assim

Tu mudas
E ficas muda
Mas nem tem que ser assim

O tempo muda
Um dia chuva
No outro dúvidas
Que queres tu de mim

O vento muda
Brisa quente
De dia
Vento frio condutor de insônia
A madrugada de um novo dia.

Mudei
Mudou
Mudei o meu amor
A dor é a mesma

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 14h15
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Apenas dor

A minha dor não significa que eu sofra

A minha dor é minha

É pessoal e intransferível

A minha dor às vezes me acalanta

Me embala qual uma quimera

A minha dor é fera

É bela

A minha dor é dela

A minha dor às vezes me apascenta

Outras vezes me atormenta

A minha dor é pura poesia

A minha dor é fria

Às vezes vazia

Outras vezes me arrepia

A minha dor é cria

Filha do meu tempo

Amiga dos meus prantos

Conselheira dos meus desencantos

A minha dor é minha companheira

É ela que afugenta o sofrimento

Que não quis

A minha dor é amiga fidalga

É apenas dor...


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 07h09
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Eu te amo

Quando alguém ama como eu amo

Fica bobo

Quando alguém ama como eu amo

Simplesmente ama

Amar é bom

Nunca é tarde

Amar a ti é amar a minha vida

Quando alguém ama como eu amo

Ama

Ama assim distante

Errante

Como antes

Mesmo sem saber

Creia

Te amei a vida toda

E nem sabia

Meu amor é tão longo quanto à lua

A rosa azul que me  pedias

Eu te aceitaria agora

E antes

Vem

Vem sem me julgar

Vem me amar como te amo

Quando alguém ama como eu amo

Pede

Implora mesmo sem chorar

Vem

Me deixa herdar teu bem

Vem me amar um dia

Amor que eu nem cria

Vem me amar como querias

 

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 08h23
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Amo a ti

Amo uma mulher que mal conheço.

Ela me disse isso.

Amo uma mulher que me acusa de nunca tê-la visto.

Ela tem razão.

Amo uma mulher com a qual só fiquei cinco vezes,

Talvez...

Amo uma mulher que me ama.

Essa mulher me ama.

Ama,

Ama sim,

Assim.

Ama como eu a amo agora.

Ama como outrora,

Antes de dizer que sim.

Amo uma mulher que me ama.

Amo uma mulher que me quer.

Amo um amor maior que o tempo.

Amo um amor que não conhecia,

Que não Cria,

Que não via.

Amo amar assim.

Amo te amar assim.

Amo saber que tu me amas.

Amo sim...

Amo assim...

Amo a ti,

Amo a mim.


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 18h33
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Amor

 

Amor...
Amar...
Amar o amor que eu amo.
Amar o amor quantas vezes?
Amor quantas vezes?
Amar o amor assim.
O amor é assim...
Teu,
Meu,
Sem fim.
Eu,
Tu,
Sozinhos...
Amar o amor quantas vezes?
E tem que ser assim...
Nunca te vi?
Pecado infindo.
Ontem eu vi teu sonho.
Não,
Engano...
Ontem sonhei novamente contigo
Ah eu te amo!
Ah eu te amo!
Ah eu te amo!
Amo.
Amo.
Amo mais que qualquer amor que eu tenha tido.
Amo assim perdido.
Sem tempo,
Sem fim.
Amo mais que qualquer amor controlaria,
Te amar não pode ser simples heresia,
Nem hipocrisia.
Te amar é agonia
Fria,
Forte,
Sem controle,
Sem fim.
Deus não pensa em mim!
Queria não te amar assim...

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 14h15
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Poema com pontos.

É claro que não te culpo.

Sou justo assim como sou.

Te perdi? Perdi sim. Quis assim.

Não te importas o que vivo

Menos ainda me importa o que vives tu.

Sou assim, mesmo antes de ti.

Te quis sim, duas ou três vezes...

Um dia sem fim.

Não sei o que mudou...

Não sei fingir como finges.

Não sou feliz como és infeliz.

Sou único mesmo sem te conhecer.

Sou tempo, sou vento, sonho sem fim.

Sou teu.

Queria... Queria sim.

Vou ficar aqui, tu sem mim.

Eu aqui assim... Outro dia sim fim.

Nós como um amor que não deu certo, tu sabes!

Sabes sim.

Então não te canso, nem me lanço, nem te quero.

Quero sim, tu sabes.

Sabes que me queres... Foges por quê?

Foges de mim... Foges sim.

Não vivo a tua vida, não penso, nem tento.

Seria teu antes, mas não sabia, nem te via...

O que custou te revelar?

Cego fui eu, nem sei quando tempo.

Uma vida que perdi...

E nem sei quantas vezes fiz isso...

Gosto de ser estranho como sou, talvez único, seguramente dor, tu sabes...

 

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 14h54
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Devaneio

Amo mais que um amor pode amar
Mesmo sendo esse amor o maior amor que tenho

Amo como o tempo findo chama para a morte

Amo assim calado
Um amor sem eira nem beira
Morto
Sepultado
Sem capacidade de ressuscitar

Amo com ira de um consorte

Amo como amo a Fé que não tenho
Amo como venho
Sem mesmo acreditar

Amo como um poeta roto

Como um escriba louco
Recuso o sonho que não quis

Amo assim um amor rotundo
Profundo
Profano

Infecundo

Sem rumo
Sem pé
Sem cabeça
Sem fim

Amo como odeio a morte
A falta de sorte
O erro de rogar a um Deus que não creio

Amo sem anseio

Amar é apenas devaneio

E dói

Dói

Dói que trespassa a dor
De saber o que é amor
E não viver

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 19h54
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Sempre

 

Sempre amei o silêncio
O frio
A dor e a solidão
Isso até te conhecer
Até que tu entrasses em minha vida

Sonhei
Deus sabe
E é minha testemunha
... Se é que Ele existe...
Ser no fim da vida apenas um ermitão

Sempre pensei que o amor fosse tudo o que eu necessitasse
Só o amor
Não amar

Nunca te roubei um único beijo
E a única vez que te toquei fui repreendido
Então o porque dessa necessidade absurda?
Essa saudade sem fim?

Sempre vaguei calma e mansamente pela noite sem chamar a atenção
Fiz versos
Uma ou outra canção

Sempre fui o dono dos meus próprios sentimentos
Até da mais incontrolável paixão
Então o porque dessa necessidade absurda?
Essa saudade sem fim?
Desejo!
Paixão!
Conteúdo!
Loucura...

Hoje vaguei-o insone sem sair do lugar
Odeio o silêncio
O frio
A dor e a solidão
Antes amigos e companheiros
Então que necessidade é essa?
Obsessão!
Fixação!
Compulsão!
Tormento!
Suplício!
Tortura!
Sonho sem fim...

Te disse: a vida me pregou uma peça
Mais uma
Entrei porque quis
Não deveria...

Te vejo a toda hora
Tua lembrança está comigo em meio a qualquer multidão
Nem mesmo preciso fechar os olhos

Agora
Muito tarde
Eu tenho a certeza que preciso de ti
Nós precisamos um do outro?

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 20h13
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