Portal da Poesia - Abel Carvalho


Apenas um sonho

E se não fosse apenas um sonho

Como teria sido a nossa vida?

Ouviríamos as mesmas músicas?

Declamaríamos as mesmas poesias?

Cozinharíamos juntos?

Deitaríamos na mesma cama...

 

E se não fosse apenas um sonho.

 

É um sonho e não vivemos ou fizemos

Nada disso, apenas sonhamos, nem planos

Nos foi possível projetar.

 

O que fizemos então?

Apenas amamos em silêncio,

Em prantos incontidos,

Em encontros escondidos...

 

O que fizemos então?

Apenas revelastes que te amo.

Mesmo assim sonhando,

Tenho que esconder isso por toda a minha vida,

Como o fizestes por toda a tua vida.

Sei, serei um sonhador para sempre...

 

Sozinho espero um futuro que não virá

E sonharei mais mil vezes entre muitas outras

Noites mal dormidas, carcomidas pela heresia

De querer

 

Sonharei sozinho e cantarei baixinho

Pra mim mesmo: amar é bom, mas faz sofrer.

 

E se não tivesse sido apenas um sonho?

 

 

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 18h37
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Não sabes! Não sentes!

Não sabes a dor que sinto!

Não verto prantos, apenas espero por minha morte.

Não sabes.

Não sabes!

Nunca soubestes, e eu nem mesmo sei fingir.

Vivo tudo do meu jeito e desafio quem quiser a me repetir.

Do meu jeito.

 

Ah amor!

Amor Rosa de Jericó.

Amor sem dó,

Atro que desafia o átrio,

Queima e germina, enfim.

 

Ah amor!

Rosa de Jericó.

Pulsa, pune, tange, resiste.

Carcome, eleva e bani.

Amor que provoca dor.

 

Não sentes a dor que sinto!

Não saio por aí sorrindo, não sei fingir.

Não sentes!

Não, não sentes.

Nunca sentistes, sabes sorrir.

 

Ah dor!               

Dor do porvir que não vem.

Dor do provecto que deixei passar.

Dor do amor que não vivi,

Dor de saber que desisti.

 

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 18h07
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Meu sol

 

Bem em meio ao mundo
Eu sozinho
Ouço uma 
Duas vezes a mesma canção

O estribilho é simples:
Meu sol

Estou cercado de pessoas que não me vêem

Vivo um dia 
Dois
Nenhum amigo
Bem em meio a todo mundo
Eu Sozinho
Ouço a canção:
Meu sol

Tão sozinho em meio a todo mundo
Escrevo poemas

Cantarolo sob o fio
Em desalinho:
Meu sol

Uma noite
Um dia
Eu concubino

A luz
A dor
O amanhã

A tua ausência
Demência
Descrença
Sonho que ruiu:
Meu sol

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 10h37
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O preço

 

Manter-me longe de ti

É mais que um preço,

Adereço, endereço de elegia,

Fim de alforria,

Condenação, delação,

Um pecado eterno e sem fim.


Manter-me longe de ti

Me enclausura, me fere, me eterniza infeliz,

Me escraviza como algoz e juiz,

Mas não me diz fostes tu quem quis.


Manter-me longe de ti dói, corta, machuca,

É heresia guia de um mundo sem destino,

Sem hino, ninho ou placenta.


Manter-me longe de ti não te alimenta.

Manter-me longe de ti é loucura,

Fissura, devaneio,  Alcorão decorado,

Navalha cega cortando nosso pecado,

Condenação, sina, mil dias de embriaguês e poesia,

Anarquia, desdém sem trem, sem limites,

Um dia que não querias,

Aurora que não vivias,

Uma hora

Um minuto que não vem.


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 09h08
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Incompleto

 

Sou incompleto
O meu amor é incompleto
A minha dor é incompleta
O meu furor é incompleto
O meu pavor é incompleto
O meu medo é incompleto
O meu segredo é incompleto
Teu amor por mim é incompleto
Incompleto são os nossos sonhos
Os nossos dissabores
As conversas que não terminamos
Incompleto sou eu
Teu
Teus dias sem fim e sem sentido
A tua sina sem rima e infeliz
A minha vida é reta incompleta
Raiz sem limite um dia afora
A minha vida passa como são horas
Assim
Assim
Assim
Sem noite e sem destino
Vida 
Vida 
Vida só em desalinho
Sem canção
Sem ti
E sem arrimo
Sem anjo
Vigia ou querubim
Sou incompleto como uma simples peça de linho
Incompleto como um ninho
Um viés
Um ponto
Um trocadilho
Um ismo
Sismo
Nicho
Cismo
De amor qualquer sem fim

Abel Carvallho



Escrito por Abel Carvalho às 09h28
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Difuso

O amor é um sentimento difuso e dividido

O amor é como dente siso

O amor é carnívoro

O amor que eu sinto é incisivo

Corta

Perfura a alma que não tenho

O meu amor é brenha

Lenha

Fogo sem centelha

Ora venha

Com toda vênia

O meu amor não tem senha

És tu ré indecisa

É mirra

Incenso

Ouro de tolo

Desadoro

O teu amor é placenta recolhida

É birra

É cisma

Vagar sem fim

O nosso amor é fantasia fria

Sol sem energia

Universo sem furor

Sem dia

Sem noite

Sem fim

não te desejo o sonho 

que não sinto

não te desejo a dor que me apedreja

nenhum beijo que te escara em devaneio

não te desejo o desespero

que é meu fim


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 21h08
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Tudo como dantes

 

Não te vejo
Não vês
Tudo como dantes

Não falo contigo
Não falas comigo
Tudo como dantes

Não te percebo
Não me percebes
Tudo como dantes

Não sinto teu cheiro
Não sentes o meu cheiro
Tudo como dantes

Não te procuro
Não me procuras
Tudo como dantes

Não te ligo
Não me ligas
Tudo como dantes

Não trocamos mensagens pelo msn
Não conversamos no zap
Tudo como dantes

Desencontro perfeito
Que grande mentira...

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 14h13
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Tempo

 

Por quanto tempo o tempo passa
Porque o tempo não volta e segue soberano
Por quanto tempo o meu tempo vai seguir
Fazer lembrar
Fazer chorar
Fazer sorrir e machucar
Por quanto tempo o tempo não vai voltar
Fazer sarar
Fazer corrigir
Fazer renascer e ressuscitar
O tempo vive o tempo que vivi
A vida corre e escorre entre rimas
Entre cismas e sinas 
Entre os sonhos e desalinhos
Eu, feitor de sonhos, perco a vida para tempo
Vejo o passado fosco e lento
Imploro a quem te fez, tempo, um futuro
Que não vem.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 14h12
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Escrevo

 

Um poema me diz coisas que não sinto,
Que não penso,
Que não ouço.

Um poema que eu faço me diz que sou poeta,
Que sinto,
Que ouço,
Que não conto.

Um poema me faz triste,
Feliz,
Passageiro,
A poesia não me traz dinheiro,
Não me cansa,
Mas senta comigo,
Me compreende assim.

Sou poeta mesmo sem querer,
Mas não seria querendo
Se o fosse.

Sou apenas um canto vago,
Um adereço,
Uma dor terrível e sem preço,
Elegia sem endereço,
Nostalgia que não conheço,
Um amor que desconheço,
Uma saudade sem fim.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 09h22
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Dois momentos

 

Sentando para escrever

Aí? Penso em ti!

Como escrever diferente?

Falar de tempos ou tridentes?

Do amor ausente, enfim...


Na vida o amor se repete,

A dor se repete, o pesadelo sangra sem fim.

Ah! Em quantos versos derramei, em vão,

Meus prantos roucos?

Quantas vezes solucei mil vezes

E engasguei ébrio e quase morto?


A vida se repete no amor que deixou de existir,

A insônia se repete em mil noites sem fim.


Ao acordar, são, repito o mesmo ato.

Escovo os dentes, tomo café gelado,

Frio qual a última noite que te vi.


E sangro como das outras vezes em que te vi ausente,

Descrente, distante, inalcançável,

Fugindo repetidamente de mim.


Oh? Deus que não creio!

Fé para mim é apenas devaneio,

Quimera, desassossego, a agonia do fim.


Se te vejo, te repito, solto um grito?

Não! Apenas solfejo o mesmo murmúrio, 

Da primeira vez que estive em ti.


Teu amor, música triste.

Meu amor, eterno sofrimento.

Te pedir o que?

Uma vida, dois momentos...


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 22h03
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O peso


Não tenho arrependimentos

Apenas sinto que fracassei naquilo que nem mesmo me propus

Mas queria


Não sinto dores ou mágoas

Apenas uma estranha sensação de malogro por não ter conseguido fazer isso

E nem queria


Não tenho mais sonhos

E talvez nunca os tenha tido

Apenas, assim meio por osmose, sonhei os sonhos que me contaram

Como se fossem meus


Não tenho vida

Nunca a vivi

Apenas emprestei meu corpo a outrens para que vivessem

Agora, quando preciso, não posso mais usá-lo


Não sangro mais

Somente verto desesperos, ânsias e o néctar triste da solidão

Caminho falciforme e combalido

Vejo distante, ainda, o fim que se aproxima

Seguro firme o peso da derrota

A me dissolver em elegias.


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 22h25
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Condenação

Recém saído da puérpera da solidão da embriaguês decido:
Aceito as penas que me são impostas
Não recorrerei da minha condenação
Serei sacro
Nunca santo
Recebo o clausuro que me impuseram

Claustro e disforme
Vomitarei as brenhas do tempo

Se me vergastarem
Receberei o meu açoite

Natibundo engulo o celibato que me amealha
Sucumbo ao esterco dos desejos de Onam

Se me admoestam
Afago os sonhos
Que são muitos
Com o desdém da quiromania do passado

Não choro
Não retrocedo
Apenas multiplico
Estendo a ti a minha sentença

Seremos comparsas coniventes
Da tua imposição
Tu juiz
Eu réu sem direito a absolvição.

Abel Carvalho


Escrito por Abel Carvalho às 21h42
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Poesia inacabada

O que me adiantou os mil poemas que ti fiz

Se a minha dor e o meu pranto nunca cessaram

O que me adiantou chorar tanto

Se a minha dor nunca parou

O que me adiantou doer tanto

Se o meu pranto não secou

Fiz poemas e canções para um sonho natimorto

Fiz poemas para um canto torto

Fiz canções que não soube cantar

Fiz da ode o desespero

Fiz do desespero a força para seguir

Fiz o ontem

O hoje

E destruí o amanhã

Pari poemas como fêmea

No afã de simplesmente te possuir

De que me adiantou, então, o autoflagelo que vivi


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 21h13
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Hojerizah

Quero que imagines isso:
Um risco,
Dois discos,
Um tempo sem fim.

Quero que durmas com isso:
Um vício,
Um dilema
Uma noite ruim.

Quero que sonhes comigo
Como sonhei contigo
Nesse longo dia, enfim.

Quero reviver cada hora,
Te fazer chorar como outrora,
Morrer de desejos e sorrir.

Talvez, entre risos e cismas,
Entre birras e cinismos,
Entres dores e sorrisos,
Velasses por mim.

Por fim te evoco entre rimas,
Ojerizas e sinas,

devaneios sem fim.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 11h10
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Verso reto

 

Um verso

Um ponto

Um poema


Um amor

Uma linha

Um trema


Um dilema

Uma rena

Um acento que caiu


Um dia

Uma hora

Outra aurora que partiu


Um vício

Eu tísico

Um sonho que ruiu


Um disco

Uma lembrança

Mais um dia que surgiu


Uma noite

Outra noite

O sonho que enfim puiu


Um verso reto

Verso retro

Ressurretro

De um tempo que sumiu


Uma milha

Corta a quilha

A estrada que abriu


Uma poesia solitária

Um poeta solitário

Um amor mil vezes vil


Um ardil

Um plano

Um momento pueril


A vida

A dor

Uma nova dor entre mil


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 08h40
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Doce, meiga e triste

 

O que me trazem os teus olhos?

Nada além da meiguice que sentir...

O que me diz teu sorriso?

Nada além da tristeza que há em ti...

O que me fala a tua boca?

Nada além da doçura que ainda não vivi...


É claro que não és assim,

Isso é apenas o que vem para mim...


És doce como o querubim,

És linda!

Linda!

Tão linda quanto nunca vi.


És meiga,

Meiga e terna como o colibri

Que ao meu sonho alimenta.

É claro que não és triste,

Isso de mim é só sandice,

Querência,

Desejo sem fim.


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 07h53
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Nunca

 

Eu nunca mudei.

Mais perdi que ganhei,

Mas nunca mudei.

Eu sou feliz.

Sou feliz assim como sou,

Para eu mesmo justo, estranho e diferente.

Não sou exemplo.

Não recomendo para ninguém

O que eu mesmo fiz,

Se sou feliz,

Sou feliz por um triz.

Ninguém viveria como eu vivo,

Nem mesmo sendo arredio e fugitivo,

Ermitão contumaz.

Mas nunca se engane,

Eu sou feliz, fiz o que quis.

Não sou escravo,

Mesmo sem quebrar, não sigo regras,

Vivi a vida de forma paralela,

Entre um ou outro bem que me quis.

Amei sim, uma ou duas vezes,

Mas sou mais amado,

Talvez cinco ou seis vezes.

Construí uma fábula absurda,

Nem Henderson sonharia o que sonhei,

Mas sou feliz o que quis,

Poucos entendem isso,

Quase ninguém.

Sou hoje como ontem,

Menos pelo tempo que passou,

Mas sou, perfeito, no que vivi,

Cônscio do que construir,

Arrimo apenas dos meus próprios devaneios...

Isso nunca me fez onipotente,

Apenas, e tão somente, onisciente e onipresente,

Embora muitas vezes ausente,

Naquilo que sozinho decidir e assumir.

E ninguém pode parar o tempo...


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 16h50
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Hei

Hei de afundar no tempo como um vício virtuoso.

Hei de moldar a cabeça ao travesseiro, caso passem as tantas dores que aconchego,

E sentir de novo sãos os dedos que teu corpo percorreram.

Hei de dormir mesmo insone e sonhar com teus sonhos,

Odisseia inacabada de mil noites de desvelo.

Hei de singrar qual quilha e sangrar em devaneio, sorrir quando o dia me chegar,

Deixar inerte na vigília o corpo desafeto, quedante e pouco ereto,

Fingir, fazer calar, tapar com os olhos o pesadelo,

Fazer crescer, merecer a inquietude avassaladora que atormenta

A mente sedenta de amor, de dor, langor e saudade.

Hei de amar mais mil vezes a ti perdidamente,

Viver mais mil noites de insônia e fazer, outra vez,

A dor em mil poesias frias, reticentes, quebrantadas e perenes,

Fortes, fieis e perturbadoras, apenas poesias tradutoras

De um amor achado e perdido, indevido, benvindo e banido,

Amor, apenas amor como a dor serena da poesia  que nunca deixará de nascer.


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 20h07
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Gotas de sangue

 

Ontem pensei em chorar duas vezes
Uma por mim
Outra por ti

Ontem pensei em gritar uma vez só
Gritar por ti

Mas de que me valeria esse grito...

Há muito canto as tuas dores
Dores de amores
Faz tanto tempo que não grito por ti...

Sei que muitos já me ouviram
Sei que alguém tentou me entender...

Ontem foi um dia triste
Até ameaçou chover...

Na verdade pingaram duas gotas
Do sangue que doei pra ti...

Ontem foi só mais um dia
Um dia como outro qualquer

Um dia nublado
De tempo avesso
De cor opaca
Sem sol

Mais um dia sem futuro
Mais um dia sem fim

E qual fim tu tens...
Qual é o teu futuro...
O que fizeram por ti...

Dizimaram os Krenyês
Exterminaram os Crenzés e Pobzés
Acabaram com a wa’kawa
Mudaram tua padroeira
E venderam a tua Santa Igreja

Mandaram embora os teus vapores
E teus batelões
Fechando tuas usinas

Instituindo a segregação
Mudaram o teu ciclo vigoroso
Tomando do homem o chão...

Fecharam suas cancelas
Roubaram da tua tela
Os filhos dos teus anciãos

Hoje nem lembro os sobrenomes
Dos que daqui foram embora
Só sei que nunca mais voltaram
Mesmo continuando a sonhar com
A tua aurora

São muitos os que se foram
Poucos os que ficaram
Nenhum foi reconhecido

Cortaram as curvas do rio
Zeraram a tua história

Mudaram a melodia
A letra do teu Hino
E do hino do teu filho preferido

Do pouco que te restou
Agora te deformam o Brasão
Te querem roubar as cores
Mais uma vez sinto dores
Por isso pensei em chorar...

Luxúria
Ignorância
Vingança
Sei lá...

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 10h40
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A poesia do abstrato


A poesia nasce do abstrato
É sempre extrato
De querenças
Ou maus fins

O abstrato faz a poesia
Como quilha corta sentimentos
Separa sofrimentos
Abre caminhos
Povoa novos sonhos
Enfim

O extrato é substrato do destino
Soma de devaneios em desalinho
Sintoma que corre nas veias
Como versos
Fragmento do amor
Da dor que sentimos
Que nos move
Nos cega
Nos une
Nos separa
Nos mantém vivos
Assim

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 13h38
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O Amor

O amor contamina

Salva

Faz viver

 

O amor sara

Perpassa

Faz querer

 

O amor canta

Encanta

Faz sofrer

 

O amor acalanta

Traz lembranças

 

O amor livra

É livre

 

O amor dirige

É guia

Intuição

 

O amor não quer caução

Quer bênçãos

 

O amor alivia

É cria

Ilusão

 

O amor nunca diz não

Amar não é devoção

 

O amor pulsa

Catapulta

Arrebata 

 

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 17h17
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E se...

 

E se tudo que vivi até hoje foi apenas um sonho
Imagino o tamanho do pesadelo que seria
Nem mesmo ter te conhecido...

E se por meu próprio porte me julgo infeliz
Como traduziria a tua ausência
A tua falta
Nunca ter conhecido...

E se sempre te tive ao meu lado
Não te vi
Talvez por medo
Ou por loucura...

E se a vida hoje não me cobra
A tua falta quase me enlouquece
Nunca te ver me entristece
Tua lembrança nunca sai de mim...

E se te beijei
E se te tive em meus braços
Quatro ou cinco vezes
E se sentir teu cheiro e não puxei teus cabelos
Então o que vivi nunca foi sonho
É pesadelo
Apenas quimera de uma vida sem fim...

E se vagueio em transe quase sacro
E se não canto meu pranto e te idolatro
Então isso é amor
Amor quase sem fim.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 18h12
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Último

Cada novo poema que escrevo

Parece ser o último

Último poema

Último momento

Último encontro

Último beijo

Prazer que não tive

 

Ocaso

Limiar

Crepúsculo

Ode ao tempo que não para

Não volta

Não se renova como as letras que escrevo

 

Último passo

Último compasso de um tempo findo

De um dia lindo que o sol fez morrer

Espasmo que não fluiu de mim

 

Último sonho

Ultima vez que te vi

Último sorriso

Último choro

Último caminho a seguir

 

Um último toque de mãos

Um último não

Uma única e última noite sem fim

 

 

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 16h29
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A alça e o vinho

A fina alça que pousa sobre teus ombros

Marca a tênue distância que hoje nos separa

O suave vinho que ainda não bebemos

É a ânsia que agora molda nos lábios teu sorriso


A alça

Os lábios

O vinho

Composição de um novo desidério


A alça me trespassa

O vinho me queima os sentidos

Os lábios me convidam


Em um sorriso doce como o vinho

Meu desejo trafega em viés nesse caminho


Não há mais sobre o que pensar

Ou refletir

Só seguir sem ruminar novamente o meu destino


A alça me convida

O vinho me trespassa os sentidos

Os lábios me queimam em fogo-fátuo

Tenho  que seguir esse caminho


A alça

Os lábios

O vinho...


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 23h27
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E se ti revelasses...


... E se perdestes tantos anos

Perdi minha vida toda

Sei disso

Tu não


E insistes em jogar fora

O tempo que nos resta

Ou não


Às vezes nem está próximo

Se apresenta como revelação


Teria sido bem melhor dizer que sim

E receber um não


Assim

Quem sabe

Não haveria culpas

Nem desculpas

Nem tempo

Nem fim

Nem tesão


Sofrer

Sofrer assim é pesadelo

É sina

É devaneio

É nódulo em vão


Ver

Olhar

Não perceber

Antes ver e não querer

Melhor que morrer de paixão 


Distância

Lembrança

Sim e não

A vida sem ti

Não tem continuação


É fogo fátuo

Herança sem sentido

É trigo que nunca vira pão


Amor é amor

Não é adoração...


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 09h16
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Dois polos

Tristeza e felicidade são forças opostas
Curtas e passageiras
Se opõem, se atraem
E se dissipam há um simples toque
Mesmo sem você querer.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 10h06
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As vezes

As vezes você tem que manter vivas fantasias
Mentir duas vezes
Criar situações que não existem

As vezes é melhor mentir assim
E te manter longe de mim

As vezes é melhor inventar sonhos
E fazê- los vivos em cada noite de insônia sem fim
E te manter longe de mim

As vezes tem que ser assim
Rabiscar um texto
Fingir que vivo no cabresto
Dizer que o telefone é ruim

As vezes é melhor assim
Fazer doer para mim
Para não morrer para ti

As vezes é melhor ouvir música sozinho
Beber cinco os seis golinhos
E fingir que entediou

As vezes é melhor dá a cara a tapa
Fazer do mundo desgraça
E esconder que o amor incendiou

As vezes o mundo é assim:
Eu-tu sem mim.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 10h48
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Eu, 58.

 

Ninguém cantou seu Eu tão bem quanto Augusto
dos Anjos:
“Ah! Dentro de toda a alma existe a prova 
de que a dor como um dartro se renova, 
quando o prazer barbaramente a ataca...”

Vandré chorou para não ter na chegada que morrer
ou de amor matar...

Djvan sentiu a dor do amor ausente.

Zé contou que eu canto os meus ais.

Rogério crê que eu faço poemas autobiográficos,
que as dores que eu canto são minhas...

As dores que eu canto nascem em alheias entranhas,
Mas vivem como minhas.

Na verdade sou vetor de sofrimentos, cinco ou seis,

e Isso me encanta, eu sei.

Se fosse produtor da minha própria biografia,
eu afirmaria: nasci dez anos depois do que eu queria
e já vivi trinta anos há mais do que eu sonhei...

Abel Carvalho
03 12 16



Escrito por Abel Carvalho às 16h28
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Poesia com pontos (ou um poema para a lua)


Por quantos caminhos a minha dor caminha?!
A minha dor caminha mil caminhos.
Caminha por caminhos tortos, estradas sem fim.
Caminha por caminhos retos, estradas longas sem destino ou paradeiro.
A minha dor caminha a ermo, com desvelo, sem arrego.
A minha dor caminha por caminhos que não vejo.
Caminha entre sombras e desejos.

Por quantos caminhos a minha dor caminha?!
Caminha no escuro, no silêncio, sob o sol escaldante ao meio dia.
A minha dor caminha em devaneio.
Caminha a meia noite fria, sem dó, soluço, sem sossego.
A minha dor caminha sob a luz da lua que te iluminou um dia.
A minha dor caminha cada dia mais vadia.
Caminha como a sombra que me segue em letargia.

Os caminhos que a minha dor caminha são fronteiras sem flancos.
São qual o amor a beira de um barranco, indeciso por saber ser ali o fim.
Os caminhos que a minha dor caminha são vias tortuosas, são chagas poderosas, são ritos de paixão, enfim...

A minha dor caminha a minha frente.
A minha dor não sente o quanto é algoz e o quanto enterneço.
A minha dor fadiga, é fada gloriosa, é fado imperioso.
É o ônus perigoso que pago para não ser para ti Procusto.

Então, se a minha dor não te comove, se tu não te condóis!?
A minha dor caminha rumo ao catafalco.
Só me resta destruir esses caminhos, fechar para sempre o pergaminho,
Com pábulo laurear tua desgraça e provar para mim mesmo que ainda posso ser feliz.

Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 21h50
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Varejo

Como o vou impedir que um novo nasça

Mesmo  te amando duas vezes

Ou mais

Te amo assim

Loucamente

Sozinho

Contigo longe

Ontem

Antes

Enfim aqui

E tu me amas...

Poetas são tolos instrumentos da paixão

Poesias eternos exercícios do desejo

Amor

Amor sempre mete medo

Vive de varejo

Amor

Amor é assim sem fim

Sem ti

Sem mim

Sem elo

Sem modelo

Nunca te vi sentada em tua porta

Mas já te vi descalça na calçada

E o sol estava quente

Meus olhos fecham

Te vejo

Minha boca cala

Pronuncio teu nome

Fujo do pente

Trespasso a ponte

Vejo a fonte

No entardecer me chegas como aurora

Nova hora que teimo em não ver

Não sei por quantos dias

Tenho um sono longo e profundo

Doce dor de saber que ti perdi.


Abel Carvalho



Escrito por Abel Carvalho às 20h45
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